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Telemedicina: o que é e como funciona

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Telemedicina: o que é e como funciona

Com a pandemia de Covid-19, a telemedicina tem sido uma importante aliada na manutenção de sistemas de saúde ao redor do mundo. A crescente sobrecarga nos hospitais e a necessidade de distanciamento social evidenciaram os benefícios do atendimento a distância com profissionais de saúde. Se uma ida ao hospital ou à clínica pode ser perigosa, por que não buscar serviço médico sem sair de casa?

Embora já não seja tão recente, a telemedicina nunca teve tanto destaque. A verdade é que, por causa de entraves legislativos e burocráticos, demorou décadas para que o modelo deslanchasse no Brasil. A crise do coronavírus mudou isso rapidamente. Com normas alteradas e novos adeptos, a telemedicina finalmente firmou bases sólidas em território nacional.

É normal que, depois de tantas mudanças em tão pouco tempo, nem todo mundo esteja familiarizado com o modelo. Você sabe como ele funciona? Conhece as áreas, os procedimentos e os benefícios envolvidos?

Neste artigo, explicaremos tudo o que você precisa saber sobre a telemedicina: desde a sua história até suas vantagens, ramos e procedimentos atuais.

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O que é a telemedicina?

A telemedicina é um termo geral que envolve todo tipo de atendimento com profissionais de saúde por meio de plataformas digitais. Seu principal diferencial é o fator remoto: sem sair de casa, os pacientes podem obter avaliação, monitoramento e diagnóstico com especialistas. O processo, que envolve mensagens, e-mails e conexões de áudio/vídeo, costuma ser utilizado para supervisão de doenças crônicas, consulta medicamentosa e leitura de exames, além de dar continuidade a visitas presenciais já realizadas.

Breve histórico

Apesar de sua recente popularização na internet, a telemedicina é anterior à era digital, com ocorrências relatadas há mais de um século. O primeiro registro de que se tem conhecimento ocorreu na revista The Lancet, em 1879, quando um médico diagnosticou uma criança pelo telefone. Na edição, a revista defendia a utilização do aparelho, recém-inventado, para evitar consultas presenciais desnecessárias.

Pouco depois, telégrafos e rádios também foram adotados para atendimento de saúde. Uma edição da revista Science and Invention, de 1925, já relatava uma história de diagnóstico inteiramente radiofônico. E ia além: o artigo discutia a possibilidade de, um dia, pacientes se consultarem com médicos a distância por meio de um futuro aparelho chamado “teledáctilo”, que permitiria videoconferências. O apetrecho nunca foi inventado, mas os serviços da então chamada “medicina do futuro” já são viáveis nos dias de hoje.

Foi com as missões espaciais, porém, que a telemedicina deslanchou. A NASA, que enfrentou a necessidade de monitorar o bem-estar de seus astronautas no espaço, desenvolveu um sistema de comunicação baseado em micro-ondas para possibilitar videoconferências. Não demorou para que a tecnologia fosse implementada também em solo terrestre.

Inicialmente, o modelo era caro, complexo e limitado a poucas pessoas, mas o avanço da internet ampliou sua acessibilidade. Em 2008, os Estados Unidos deram um passo decisivo ao autorizar que psiquiatras receitassem medicamentos ansiolíticos pela internet. A seguir vieram clínicas exclusivamente online, em 2015, e hoje a telemedicina é permitida e praticada no país inteiro.

Regulamentação no Brasil

Em março de 2020, com o avanço da pandemia de Covid-19, o CFM (Conselho Federal de Medicina) finalmente liberou a telemedicina em território nacional. Foram quase 20 anos de polêmicas e entraves até que a urgência da crise sanitária impulsionasse a regulamentação. O processo começou em 2002, com uma resolução limitada do CFM, que só previa a emissão de laudos e a troca de informações entre profissionais de saúde. Antes da chegada do coronavírus, todas as tentativas de ampliá-la tinham fracassado.

A resolução emergencial da CFM, de 2020, determinou a validade da telemedicina, com clínicos-gerais e especialistas, enquanto durar a pandemia. Fala-se, contudo, em uma expansão pós-Covid-19, quando uma nova regulamentação deve ser implantada. No momento, o alcance dos atendimentos está restrito ao estado onde o profissional está registrado – ou seja, um médico de São Paulo, por exemplo, não tem permissão para atender um paciente do Rio de Janeiro, independentemente da facilidade de conexão.

Os planos de saúde cobrem a telemedicina?

Sim! Segundo determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS), publicada em abril de 2020, os planos de saúde podem ser destinados a consultas de qualquer especialidade médica pela internet. Os benefícios são os mesmos que se obtêm presencialmente.

Os ramos da telemedicina

Telelaudo

A emissão remota de laudos é um dos principais ramos da telemedicina no Brasil. É uma forma de otimizar o tempo dos especialistas, que não precisam ficar restritos à clínica ou ao hospital. A equipe de técnicos e enfermeiros realiza os exames e os envia pela internet para os médicos, que emitem laudos de qualquer lugar do país.

O procedimento serve para exames como Eletrocardiograma (ECG), Eletroencefalograma, Raios-X, Mamografia, entre outros. Os laudos podem ser entregues no mesmo dia, talvez até em poucos minutos, dependendo da urgência e da gravidade do caso. Isso é fundamental para providenciar tratamento para o paciente o mais rápido possível.

Teleassistência

A assistência digital traz diversos serviços clínicos direto para a casa do paciente. Triagem, monitoramento e orientação de saúde são alguns exemplos. Um médico fica a cargo da supervisão e se comunica com outros profissionais de saúde para tomar decisões sobre o caso, tudo por meio da internet. A teleassistência costuma ser indicada para emergências e acompanhamento de situações de risco.

Teleconsulta

Antes realizada apenas entre profissionais de saúde, a teleconsulta foi liberada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) para o atendimento de pacientes durante a pandemia da Covid-19. Trata-se de qualquer tipo de consulta médica ocorrida em chamadas de áudio e vídeo. Segue um exemplo clássico: se um clínico geral necessitar do auxílio de um especialista para a resolução de algum caso, pode fazer uma teleconsulta.

Agora, com as novas regras e a inclusão dos pacientes, o modelo deve se tornar cada vez mais comum no Brasil. Seus principais benefícios são a diminuição de custos e a otimização dos recursos do sistema de saúde, já que reduz a necessidade de visitar hospitais e clínicas.

Teleducação

No caso da medicina, a teleducação oferece um programa de treino e capacitação a distância para profissionais de saúde. Aplica-se, geralmente, a quem mora longe do movimento e da urgência de centros urbanos. O treinamento ocorre por meio de cursos, aplicativos, videoconferências e materiais educativos.

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Principais vantagens

Supervisão e monitoramento

Para quem precisa de supervisão constante, aparelhos de monitoramento enviam dados como pressão arterial e batimentos cardíacos, em tempo real, ao computador do médico, que dá orientações e pode solicitar assistência se necessário.

Sistema de rating

Como ocorre com muitos aplicativos, o paciente tem espaço para avaliar o serviço do profissional de saúde. As notas ficam registradas em sites como o BoaConsulta e o Doctoralia, nos quais se pode checar as avaliações e os índices de satisfação com cada especialista antes de marcar a consulta.

Interconsulta

Não só os pacientes se beneficiam da telemedicina: profissionais de saúde também obtêm comodidade, praticidade e eficiência com o modelo. As tecnologias atuais permitem que especialistas discutam casos com colegas de profissão como se estivessem no mesmo lugar – desde que se mantenha o sigilo profissional, é claro. Além disso, dúvidas, descobertas e pesquisas podem ser repassadas em programas educacionais oferecidos pela teleducação.

Receitas e medicamentos

Foi-se o tempo em que todas as receitas precisavam ser impressas. Hoje em dia, o médico só precisa preencher o modelo da receita, disponível no site do CFM (Conselho Federal de Medicina), salvar com assinatura digital e enviar em formato PDF por e-mail. Serviços como o Memed tornam o procedimento ainda mais fácil: basta digitar a receita no site para recebê-la por SMS, pronta para repasse.

Antes de prescrever, porém, o médico deve ter certificado digital credenciado pela ICP-Brasil. No momento da compra dos medicamentos, os requisitos da legislação sanitária são verificados pelo farmacêutico.

Vale lembrar que, de acordo com regulamento da Anvisa, alguns medicamentos não podem ser prescritos digitalmente. É o caso dos retinoides sistêmicos e da talidomida, que requerem receituários impressos. Nesse caso, não há como evitar uma consulta presencial.

Outros benefícios gerais:

  • Aproximação entre médico e paciente
  • Menos exposição a doenças infectocontagiosas
  • Acessibilidade para regiões remotas
  • Sigilo de dados, garantido por legislação internacional
  • Menos locomoção
  • Maior troca de informações entre serviços de saúde
  • Mais qualidade e agilidade na emissão de laudos

Complemento ao atendimento presencial

É importante deixar claro que a ideia por trás da telemedicina não é substituir o serviço médico presencial, mas sim complementá-lo. Trata-se de uma ferramenta que, bem utilizada, é capaz de superar barreiras geográficas e socioeconômicas, levando cuidados médicos de qualidade a quem antes carecia disso.

Aqueles que não se habituarem ao ambiente digital não têm motivos para preocupação. O futuro da medicina não é exclusivamente digital. Na verdade, a telemedicina oferece diversas possibilidades para enriquecer as consultas presenciais, como dispositivos de monitoramento para que o médico fique sempre por dentro da saúde do paciente. Isso permite que doenças sejam prevenidas, diagnosticadas e tratadas com rapidez e segurança, dando menos chances a sequelas e agravamentos.

A telemedicina pode, inclusive, revelar a necessidade de novas visitas ao hospital ou à clínica. Com o revezamento entre a medicina digital e a presencial, a tendência é que estejamos mais e mais preparados para os desafios da área de saúde.

Inteligência Artificial (I.A.)

A inteligência artificial é uma área da ciência da computação que busca simular o raciocínio humano em dispositivos eletrônicos. Assim, máquinas tornam-se capazes de reproduzir pensamentos e ações do ser humano para resolver problemas e completar atividades. Seu principal objetivo é facilitar e modernizar os processos de produção industriais, científicos e cotidianos.

Quando aplicada à área de saúde, a inteligência artificial tem papel fundamental na automatização de procedimentos médicos. Existem até máquinas capazes de realizar cirurgias a distância, comandadas por médicos pela internet e supervisionadas por auxiliares no local. Sua capacidade de processamento de dados também é de grande auxílio na hora de cruzar informações em exames e laudos, permitindo diagnósticos mais precisos.

Telemedicina e telessaúde

Embora sejam vistos como sinônimos, os termos telemedicina e telessaúde referem-se a áreas com focos diferentes. De acordo com o Departamento de Direitos Humanos dos Estados Unidos, a telessaúde é um conceito mais amplo, do qual a telemedicina é apenas uma categoria, junto com a tele-epidemiologia e as redes de administração e gestão em saúde.

A principal diferença é a dimensão: enquanto a telemedicina aborda apenas serviços clínicos remotos, a telessaúde utiliza sistemas de informação e tecnologia para a área de saúde como um todo, com conferências, pesquisas e capacitação profissional.

Ainda tem dúvidas sobre a telemedicina? Escreva nos comentários e nós explicaremos! Não deixe de acompanhar o blog da Appoints para mais informações sobre saúde!

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